No mesmo ritmo
Q uando estava chegando no trabalho ontem, vi Osman e sua esposa, ele estava deixando-a no trabalho, trabalhamos próximo, eu e ela. Fatima deu um beijo de despedida nele e entrou. Andamos pela mesma via, em sentido contrário, virei o rosto para o outro lado, devo imaginar que ele também, pensei que uma saudação de bom-dia não custaria nada. Porém, para nós seria custoso demais, mexeria com nossos egos, com nossas mágoas, pelo menos com a minha, pois, ano passado ainda tentei alguma amistosidade e a resposta dele foi a pior, muito alterado, disse algo como: “Está tirando com minha cara, caralho? Queres dar uma de sonso? Falaste mal de mim, agora vem falar comigo? Vai te foder.” Via aquilo e não conseguia acreditar, estava diante de uma pessoa que nunca havia conhecido, não se parecia com o Osman que conheci a vida inteira, apenas disse algo como: “Tentei, fiz minha parte, esse peso não carrego”. Creio que serão nossas últimas palavras. Osman foi meu melhor amigo desde criança....

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