Diários: o efeito danoso de se curar
marcos samuel costa, colagem: uma mãe é uma morte sem precisão, 2026 26 de setembro de 2026 / 27 de setembro de 2026 Há quatro anos perdia minha mãe. E tem sido um longo processo de retomada da vida que em muitos momentos vacilei. Que vacilo, que ainda sinto bastante medo e me vejo envolto de muita tristeza. Medo de a esquecer mais do que o necessário, de lhe apagar de mim, ao mesmo tempo em que há um tempo de ficar tão envolto na dor que eu perca a capacidade de viver minha própria vida. Porém, tem algo que me consome; desde o ocorrido, não consegui chorar. Não consigo, não é por falta de tristeza, ou excesso dela. Ou algum rancor. Apenas ficou preso, as lágrimas não desceram, parem que se perdem no caminho. O meu terapeuta disse que pode ser por conta das medicações; aliás, ele disse que é muito comum as medicações fazerem isso. E que isso é uma queixa comum entre seus pacientes. Tudo isso veio à tona depois que ouvi o novo álbum do Emicida. O disco começa ...




