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um conto de marcos samuel costa

  Faíscas que se saltavam        A densidade não estava apenas na temperatura entre as paredes, provocada pela quentura da tarde e pelas labaredas da sauna, muito menos nos corpos que tendiam à ardência; estava, na verdade, em tudo, em todos, na junção. Em cada parte dos corpos que se envolviam com o extremo e o passivo do prazer, nas faíscas que se saltavam, e em cada um que ali se deliciava no sexo, do fragmento da vida em sequência – cena após cena, toque a toque, nem tão profundo, muito menos raso, que explodia. Gustavo chegou cedo, ainda antes das quatro horas da tarde. Deixou suas coisas no guarda-volume, entrou, tomou um banho e ficou andando no espaço. Ainda era cedo, poucas pessoas haviam chegado, porém, era sábado, e os sábados ali sempre eram quentes. No entanto, a hora corria e nada mudava. Então ele entrou pelo corredor, desvencilhou-se de um velho que quis lhe segurar quase que à força. Foi quando um cara mais alto o pressionou contra um cara negro...

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