Poema de marcos samuel costa
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| by: marcos samuel costa |
Amistosamente
me
afogo na pia
do
banheiro
por
isso
devo te confessar
que hoje
tomo
três
às
vezes
quatro
remédios
psiquiátricos
por
dia
(quando
o som do rancor é tão bravo que nem uma onça é capaz de dormir no chão frio da
vida um amontoado de folhas secas o enigma sem início a noite sobre o campo
minado de ferro)
tomo
hemifumarato
de
quetiapina
cloridrato
de
sertralina
cloridrato
de
bupropiona ou fantasmas
e alucinações
tenho
a impressão
que
o chão
não é firme
não tomo mais
álcool
sem
bares e cervejas
então
me
queimo com
o
ferro elétrico
não mais
fumo nenhum cigarro
confundo
o
dia com a noite
a
escuridão
com
a cristalinidade
do olhar
tomo
três ou quatro
remédios
psiquiátricos
por dia
sinto que
tudo se anestesiou
que
não serei
capaz
de gritar
nem correr
nem
gozar já que meu pênis
afunda
num mar
anestésico
os desejos desaparecem
tudo
se deita
sobre
minha vida
antes que me deite
a noite para dormir
é
noite aceito que seja noite


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