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Apolo - conto de marcos samuel costa

  by: marcos samuel costa, 2025 Deus do sexo   Mas um golpe terrível, pesado, ressoou à porta, e, como nos sonhos infernais, tive a sensação de levar um golpe de picareta no ventre. Charles Baudelaire   Apolo não perguntou meu nome, e mesmo que tivesse, mentiria. Não acredito que esse realmente seja o seu nome, mentiu. A única certeza, quase falsa, é que não iremos mais nos encontrar. Ainda que me lembre do seu sexo, dele em cima de mim como um pesado touro, talvez eu vá o esquecendo. Lentamente o esquecendo, como se afundasse em um rio, como se águas entrassem nos meus pulmões, roubassem o espaço que doravante pertencia ao ar, encontrasse assim o esquecimento. Como em um afogamento repentino, mas nado muito bem, não seria assim que morreria, quero dizer, minha memória é muito boa. Desenharei dia após dia tudo que lembro de Apolo, em especial o seu beijo, seu hálito que não era bom e nem ruim, porém, mesmo tendendo para não tão agradável, era muito bom lhe bei...

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